quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O líquido do fazedor de tinhosos

Quando eu era criança eu vivia muito doente. Um dia mainha me levou na bezendeira. Eu era pequeno mais lembro bem da mulher meio gorda de branco, que fumava um charuto. Aí toda semana eu ia lá, ela me dava umas baforadas e me benzia com uma planta verde, estranha, acho que era uma tal de arruda, e falava umas coisas estranhas. Eu lembro bem do Obiassãn Akithu nuvai sará. Ela me batia com aquilo. Aquilo sapecava e deixava minha pele vermelha mas depois de uns tempos ja não era tão incomodo. E também aquelas baforadas de charuto na minha cara, era esquisito, mas mainha falava que aquela mulher era serva um tal de oxalá, e que esse tal de oxalá era o irmão pretinho de Deus, aí eu ficava mais calmo.
Aí eu fui crecendo mas eu nunca sarava. Um dia eu fui na bezendeira, como sempre, eu tinha treze anos nessa época. Aí quando ela me bateu com aquela tal de arruda num aconteceu nada no inicio, mas depois que ela foi batendo no meu joelho foi dando um negocio estranho por debaxo da minha bermuda. A bezendera tirou o charuto da boca e falo: saravá. Aí minha mãe de repente tava toda nervosa e saiu me puxando pelo braço, e eu sem entender nada. Depois em casa mainha disse que um dia explicava o que era aquilo, aí conforme ela ia falando o negocio foi abaixando. Aí eu fiquei ate mais calmo porque aquilo era feio, ficava apontando pras pessoas sem eu querer.
Aí passou uns dia e eu já estava achando que tava curado daquele demoniozinho que parecia que sempre queria sair quando eu sentia chero de charuto, ou alguma mulher me encostava no joelho. Mais então um dia de manha o demoniozinho já tava lá todo rebelde querendo sair, eu fiquei com medo. Ai mainha não tava em casa, eu saí com pressa pra ir lá na bezendera. Aí nessa época a filha da bezendera já tava seguindo os passos da mãe, e a mãe não tava. Aí eu tava chorando e mostrei pra filha bezendera o meu problema. Axei estranho ela tão calma, aí ela me levou prum quarto escuro e falou que o demônio ia embora depois que ela fizesse o rito lá, pego um charuto e uma espada de comigo-ninguém-pode. Aí ela abriu minha calça e segurou bem firme o demoniozinho ousado. Ele era um demônio bravo mesmo, porque quando ela enforcou ele parecia ainda mais forte e bravo, ficava ate mechendo. Dava uma sensação estranha. Aí depois senti um negocio quente e molhado, que envolveu o demônio todo, como se fosse uma forma de encurralar ele. Aí foi dando um negocio estranho, acho que o demônio tava sendo encurralado, e ia sair. Aí ele ia saindo. Era um demônio incistente. Eu tava suando, mas agüentei firme, enquanto ele ia sendo enforcado e solto, enforcado e solto, até que uma hora eu parecia que ia desmaiar, mas finalmente o demônio saiu. Aí o volume foi abachando, abachando, eu me sentia aliviado e leve por ele ter ido embora. Tava muito feliz, aí paguei a filha da benzedera e fui pra casa, num falei nada pra mainha não, pois eu já me considerava um rapaizinho que podia resolver os problema sozinho.
Aí nessa noite eu durmi e de manhã o demônio tinha ido embora mesmo, nem sinal deli. Passou três dias de paz. Mas o cabrunquinho era mais forte do que eu imaginava e agora tava pior porque eu passei a ter pesadelos com a filha bezendera, e acordava sempre com a sensassão do demônio saindo, mas aí eu comecei a ficar com muito medo porque o demônio já tava soltando seu líquido demoníaco na minha cama. Devia ser mais de um encosto porque sempre tava saindo demônio toda noite. Aí eu fui na biblioteca e achei um livro que falava dos sucubos, que são demônios que nascem a partir desse liquido demoníaco secado ao sol. Fiquei com mais medo ainda de fabricar um exercito de demônios, que me atentavam cada vez mais e pior, imaginava um monte de demônios saindo das minhas cuecas no varal, podiam ir pra vizinhança atentar as pessoas, e pior ainda, se soubessem que era eu. Eu tava frito. Aí eu comecei a ficar mais homenzinho nessa época começou a nascer bigodinho, eu cresci mais, sarei do problema que tinha quando era criança, que era que eu tinha a voz muito fina, enfim os anos de baforada de charuto fizeram algum efeito. E aí o demônio começou a me tentar com as meninas da minha escola. Uma vez uma me puxou pra trás do vestiário, eu já tava completamente possuído, porque movido por forças umbandistas eu abaixei a calça e disse: Tira meu demônio, tira meu demônio! Ela saiu sem entender a minha possessão aliás era só uma menina inocente coitada e eu um instrumento do tinhoso para fabricar um exercito de sucubos com meu liquido demoníaco. Eu já tava no fundo do poço. Já estava dizendo adeus ao meu lugar na nuvem de 2012 de deus. Juntei mais um dinheirinho que eu tinha ganhado na quebra de braço com meu colegas pois meu braço tava forte já que as vezes eu ajudava os demônios a saírem e fui ver a filha bezendera pois ela tinha sido o inicio de minha obssessão mas ela num tava. O vizinho falou que ela agora trabalhava prum tal de pastor Euclides. Aí eu fui atrás dela, mas ela tava num culto fechado, na ultima sala, e quem me atendeu foi o pastor rolando. Ele falou que eu poderia ser curado se entrasse pra igreja dele. Ai já foi pegando o dizimo da minha mão e dizendo aleluia, eu me entusiasmei e falei também aleluia, pastor. Ele me deu um barbantinho e me ensinou a técnica do ponto seguro, e me mandou pra casa. Aí eu amarrei o cabrunco com o barbantee prendi na cueca, e sempre que ele se manifestava, era repreendido pelo barbante divino do pastor rolando, e murchava de novo. Aí foi passando o tempo e ele desistiu de se manifestar. Acho que o sataninho não saiu ainda, mas ele não ta dando trabalho mais, mas eu continuo indo as missas, eu tenho certeza que o senhor, através do pastor rolando vai tirar ele por completo. Bem, esse foi meu testemunho de livramento. Queria agradecer ao pastor rolando, ao pastor euclides, e ao pastor jonival por me aceitarem de mãos abertas sempre, todos eles já vinham com a mão aberta assim que eu chegava, realmente algo maravilhoso. Paz do senhor, irmãos.

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